Conceito de Globalização


Segundo Thurow (2003, p.2), “globalização tem muitos significados diferentes para muitas pessoas diferentes”.

Hobsbawm (2000, p.75) apresenta a seguinte visão da globalização:

“… a globalização implica em um acesso mais amplo, mas não equivalente para todos, mesmo na sua etapa, teoricamente mais avançada. Do mesmo modo, os recursos naturais são distribuídos de forma desigual. Por tudo isso, acho que o problema da globalização está em sua aspiração a garantir um acesso tendencialmente igualitário aos produtos e serviços em um mundo naturalmente marcado pela desigualdade e pela diversidade. Há uma tensão entre estes dois conceitos básicos. Tentamos encontrar um denominador comum acessível a todas as pessoas do mundo, a fim de que possam obter as coisas que naturalmente não são acessíveis a todos. O denominador comum é o dinheiro, isto é, outro conceito abstrato.”

Outra colocação, de Michalet (2003, p.15), define globalização, ou mundialização, termo utilizado pelos franceses, como sendo “caracterizada por sua multidimensionalidade, que se refere, aparentemente, à dimensão das trocas de bens e serviços, mas também, à mobilidade da produção de bens e serviços e à circulação dos capitais financeiros”.

Cabe comentar um parêntese de Michalet (2003), que diz que os historiadores Braudel e Wallerstein mostram que a “economia-mundo” é o quadro do nascimento do capitalismo desde o século XIV.

Já Chesnais (1996) comenta que a utilização do adjetivo “global” se iniciou no começo dos anos 80, nas escolas americanas de negócios, e que foi popularizado por consultores de estratégia e marketing, formados nessas escolas, ou com contato com elas.

Em uma linha diametralmente oposta, Passet (2003) define mundialização, seguindo a acepção do dicionário Larousse, como o fato de tornar-se mundial, e complementa com a definição do Robert, outro dicionário, como sendo o fato de tornar-se mundial, de disseminar-se por todo o mundo.

Complementa, ainda, com a definição do termo “mundialismo” que, segundo o Larousse, é a doutrina que visa realizar a unidade política do mundo como uma comunidade humana única e, complementado pelo Robert, como sendo o universalismo visando constituir a unidade da comunidade humana. Ele, ainda, comenta que a globalização, no seu aspecto econômico, teve sua “inauguração” na década de 80, a partir do período Reagan-Thatcher, caracterizada pelo fato de as grandes empresas transnacionais se organizarem e desenvolverem suas redes mundiais.

Logo, para Passet (2003, p.24), “o mundialismo, por sua vez, é uma opção ideológica baseada em valores socioculturais, uma concepção de vida e do mundo, e não uma lei natural e imutável”, isto é, se posicionando como crítico ao modelo econômico de globalização neoliberal.

Fontes:
CHESNAIS, François. A Mundialização do Capital. São Paulo: Xamã, 1996.
HOBSBAWM, Eric J. O novo século: entrevista a António Políto. São Paulo: Companhia da Letras, 2000.
MICHALET, Charles-Albert. O que é mundialização? São Paulo: Edições Loyola, 2003.
PASSET, René. Elogio da Globalização. Rio de Janeiro: Record, 2003.
THUROW, Lester C. Fortune Favors The Bold. New York: HarperCollins Publishers, 2003.